Livre Arbítrio

on sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Livre pensamento e liberdade de expressão nos são garantidos pela Constituição Federal tupiniquin, e por Deus, que, dizem, além de brasileiro, também é flamenguista. Então, quem tem boca, diz o que quer, e ainda vai a Roma. Mas falando de livre arbítrio, as coisas não são bem assim, como pintam alguns por aí, Adão e Eva que nos digam.

Temos o livre arbítrio de fazer tudo aquilo que o Senhor dos Montes nos permite fazer, no plano divino. As leis, regulamentos, contratos, regras, a moral e as convenções sociais, por outro lado, não nos permitem, por exemplo, correr nú pela rua de casa, em plena manhã de domingo, pois isso é coisa ou de maluco ou tarado, e podemos ser expulsos do Paraíso infernal e monótono de nossas vidas medíocres.

O “ser diferente” só vale para diferentes em número maior que dois, pois sozinho se vai para a cruz e em dupla para o Limbo. – Não é mesmo Santíssima Trindade?

No Brasil, cada dia que passa surge um novo tipo de mulher: Moranguinho, Melancia, Melão, e já está faltando fruta no mercado – para deixar ainda mais evidente nossa vocação á democracia. Somos o país do Fudebol e do Carnaval. Enquanto isso, nos cafundós do Velho e caduco Mundinho de Meu Deus, galegos discutem a proibição do uso da burca e do niqab, vestimentas chamadas de véus islâmicos, porque consideram um desrespeito à individualidade feminina e ao seu exercício de cidadania, qual seja, o de escolher por ela mesma, ora pois Jesus, o que usar ou não. Por aqui, tal como no Éden, começou mais ou menos assim, e já se sabe no que deu: – Mamãe eu quero mamar!

De burca ou de niqab, sem blusa ou de biquini, que importa? Cada um que faça do seu jeito. Viva a demonocrecia. Viva os gregos. Viva Dionísio, o deus da sacanagem.